Com papel e caneta na mão
rabiscando além da solidão.
Tento desenhar teu rosto
com palavras sem gosto.
Olhando teus olhos na minha mente,
Fitando teus lábios na minha frente.
Teus cabelos me enrolando na cintura,
Tentando, rápido, tapar a rachadura
em meu peito.
Esperando teu cheiro sentir em meu leito
Sonhando com tua mão me dando um jeito.
Ressuscitando minha’alma quando ela se for
Pra me fazer ver o sol, mesmo depois dele se pôr.
Além de tudo, mesmo depois de mudo,
Quero saber se você também sente.
Essa tempestade
que trinca e invade
meu corpo quente.
Porque eu continuo escutando ela,
Com você dormindo ao lado da janela.
Porque eu continuo tremendo em pé,
Meu quarto sem você perde a fé.
Olhando pro teto esperando ser capaz,
Fechando os olhos pra dormir, enfim.
Desejando que você anoiteça em paz
e amanheça em mim.
Bruno Simão
Simão. […] floresci: